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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mesa-Redonda sobre Arte Contemporânea - Paulo Darzé Galeria de Arte

Acontece nesta sexta-feira, 14 de maio,  às 18h uma mesa redonda para discutir sobre vídeo e fotografia na arte contemporânea na Paulo Darzé Galeria de Arte. O evento faz parte da exposição individual do artista Caetano Dias, intitulada Transverso, que fica em cartaz até o dia 15 de maio. O objetivo é trazer para Salvador pesquisadores, críticos e curadores reconhecidos nacionalmente para promover um diálogo sobre novas perspectivas artísticas.

Está confirmada a presença de Daniela Bousso, curadora e diretora do Museu da Imagem e do Som e do Paço das Artes em São Paulo, Eduardo Brandão, sócio da Galeria Vermelho e professor de fotografia da FAAP, André Parente, artista e pesquisador do audiovisual e das novas tecnologias da imagem pela UFRJ, Josué Mattos, mestre em práticas curatoriais e gestão cultural pela Université Paris I Panthéon-Sorbonne e Cláudia Pôssa, doutora em fotografia pela Universidade de Barcelona e professora da UFBA.

Os palestrantes irão trazer algumas reflexões sobre o uso da fotografia e do vídeo na arte contemporânea e sobre diferentes aspectos da obra de Caetano Dias. Na exposição, o artista usa vídeos, fotografias digitais, objetos e instalações multimídias para falar sobre vestígios de geografias e arquiteturas. O catálogo da mostra, que traz textos assinados por Stella Carrozzo, André Parente, Eric Corne, Jacopo Crivelli, Josué Mattos, estará à venda no local.

Mesa sobre arte contemporânea
Palestrantes: Josué Mattos, Eduardo Brandão, André Parente, Daniela Bousso e Cláudia Pôssa
Dia: 14 de maio, das 18 às 21h30 horas
Local: Paulo Darzé Galeria de Arte, Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8 - Corredor da Vitória
Telefone para informações: (71) 3267-0930
www.paulodarzegaleria.com.br/


Caetano Dias  - Nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 1959. Já realizou diversas individuais no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Paço das Artes, na Galeria de Arte Marília Razuk, em São Paulo, na Casa de Las Américas, em Havana, Cuba, entre outras.  Recentemente, participou de residências artísticas em  Le Fresnoy – França - Cite Internationale des Arts, Paris/França; Can Xalant, Barcelona/Espanha;  Museu da Imagem e do Som, São Paulo/SP e na Fundação Derouin, Valdavid - Quebec/Canadá.  Sua obra faz parte dos acervos da Casa de Las Américas - Havana/Cuba,  Museu de Arte Moderna – Salvador, Coleção Gilberto Chateaubriand – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu de Arte Contemporânea – Centro Dragão do Mar – Fortaleza, Museu Berardo de Lisboa/Portugal e da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea- Coleção Berardo. 

Josué Mattos - Graduou-se em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X Nanterre (Paris, França), é Master 1 e 2 em História da Arte Contemporânea e Mestre em Práticas Curatoriais e Gestão Cultural pela Université Paris I Panthéon-Sorbonne (Paris, França) com tese sobre  questões de semiologia relacionadas à produção artística brasileira, tendo por interesse central a reapropriação do mito e da memória da vanguarda aos dias de hoje. Dentre os projetos que executou como curador destacam-se as exposições Terres et Cieux e En faisant des étoiles durante o Festival Inter-câmbio.

Eduardo Brandão - Curador independente e professor de fotografia no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Junto com Eliana Finkelstein, criou a Galeria Vermelho, com foco na fotografia, na performance e na arte eletrônica.

André Parente - Artista e pesquisador do audiovisual e das novas tecnologias da imagem. Em 1987 conclui seu doutorado em Paris sob a orientação do filósofo Gilles Deleuze. Desde 1987 é professor da Escola de Comunicação da UFRJ, onde fundou e coordena o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem). É autor de vários livros, dentre eles destacamos: Imagem-máquina (1993); Sobre o cinema do simulacro (1998); O virtual e o hipertextual (1999); Narrativa e modernidade (2000); Redes sensoriais (2003, em parceria com Kátia Maciel); Tramas da rede (2004); Cinema et narrativité (2005); Preparações e Tarefas (2008). Entre 1977 e 2009, realizou inúmeras fotografias, filmes, vídeos e instalações nos quais predominam a dimensão experimental, trabalhos mostrados no Brasil e no exterior (França, Alemanha, Espanha, Portugal, México, Colômbia, Argentina, entre outros).

Daniela Bousso - Historiadora, crítica de artes visuais e curadora independente. Doutora em Artes Visuais e Comunicação e Semiótica, Dirige o Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, desde 2007 e o Paço das Artes desde 1997. Mestre em história da arte brasileira pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, foi curadora do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia de 2000 a 2007. É especialista em planejamento estratégico e formulação de políticas públicas voltadas às artes midiáticas.

Cláudia Pôssa - Doutora em artes pelo programa “Fotografia y Vídeo”, da Universidade de Barcelona e professora da Universidade Federal da Bahia. Participou do Programa de Cooperação Interuniversitária América Latina – Espanha 2002, como professora visitante, no programa “Interación entre Arte y Fotografía”, na Universitat Politècnica de Valencia, Valência / Espanha . Tem publicado textos dentre eles “Carnaval de Oruro segundo Pierre Verger”, no catálogo da 4a Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Em setembro de 2009, realizou a curadoria da exposição “De um mundo ao Outro – Pierre Verger nos Anos 30”, em parceria com Alex Baradel, da Fundação Pierre Verger, no Palacete das Artes Rodin Bahia e na Aliança Francesa.

terça-feira, 23 de março de 2010

Depois de história do futuro: (arte) e sua exterioridade - Deslocamentos criativos, movimentos e transformações

A Fundação Eva Klabin recomeça no dia 23 de março seu ciclo de discussões através de pesquisas universitárias. O primeiro encontro do projeto mensal “Plataforma de Pesquisa” tem a presença do artista plástico e pesquisador Milton Machado para apresentar seu trabalho de doutorado na London University (Goldsmiths College), intitulado “Depois de História do Futuro: (arte) e sua exterioridade”. O ciclo de palestras consiste em trazer para a FEK artistas plásticos e críticos atuantes no circuito das artes para apresentar suas teses já defendidas com uma linguagem acessível para o grande público.
O trabalho parte de modelos observados na ciência, na tecnologia, na arquitetura e no design, para examinar casos – o da arte em particular – em que objetos que existem extraordinariamente promovem a produção de um conhecimento que questiona o objeto ordinário e o modelo ordinário; em que o trabalho excede, muitas vezes para superar, subverter, mesmo trair, sejam quais forem as funções prescritas no projeto, respondendo, e dando origem, mais do que ao desígnio original.
Há também casos em que resultados e respostas muitas vezes são excessivos, inesperados, de impossível (e desaconselhável) prescrição; em que as narrativas muitas vezes escapam aos roteiros pré-programados da maestria e do controle; em que o trabalho significativo invariavelmente projeta sua exterioridade; em que os objetos operam por meio de deslocamentos, seja do sítio [site] e das condições para a produção de arte, seja dos significados – do trabalho, da arte mesma – ativados por essa produção.
De acordo com o coordenador do projeto e curador da Fundação Eva Klabin, Marcio Doctors “a atividade pretende discutir as teses fora das salas de aula, fazendo circular a produção de pensamento relacionada às artes. É muito interessante promover um ciclo de debates sobre os mais variados assuntos como tivemos nos eventos anteriores, onde foram abordados temas como a construção de monumentos aos judeus mortos no Holocausto e as narrativas críticas e históricas da modernidade”. O projeto conta ainda com a consultoria de Gloria Ferreira, doutora em História da Arte.

Sobre Milton Machado
Artista plástico e pesquisador. Desde 1970, diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Textos publicados em livros, revistas, jornais e websites. De 1979 a 1994, foi professor do Centro de Arquitetura e Artes da Universidade Santa Úrsula e, de 1983 a 1994, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Professor adjunto do Departamento de História e Teoria da Arte e do PPGAV-Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes EBA / UFRJ. Pesquisador do CNPq.

Plataforma de pesquisa: Depois de história do futuro: (arte) e sua exterioridade - Deslocamentos criativos, movimentos e transformações

Palestrante Milton Machado
23 de março, terça-feira, 17h30
 
Fundação Eva Klabin
Av. Epitácio Pessoa 2480, Lagoa, Rio de Janeiro - RJ
21-3202-8554 / 8550 ou cultura@evaklabin.org.br
www.evaklabin.org.br
Fonte Canal Contemporâneo

sábado, 13 de março de 2010

O Ensino da arte contemporânea - Escola de Belas Artes/RJ

O Ensino da arte contemporânea: Fazendo do desafio um aliado com Greice Cohn na Escola de Belas Artes, Rio de Janeiro

O Pólo Arte na Escola/UFRJ e a Escola de Belas Artes oferecem o curso de Extensão “O ENSINO DA ARTE CONTEMPORÂNEA: FAZENDO DO DESAFIO UM ALIADO”. O curso será ministrado pela Profª Greice Cohn, Coordenadora Pedagógica do Pólo e Professora de Artes Visuais do Colégio Pedro II.

Coord. Pedagógica: Profª Greice Cohn
Coordenador do Pólo Arte na Escola: Prof. José Augusto Fialho Rodrigues
início: 17 de março de 2010, quartas-feiras, 14-17h - 8 aulas, carga horária total de 24 horas

Escola de Belas Artes - Pólo Arte na Escola
Av. Pedro Calmon 550, Prédio da Reitoria, Cidade Universitária, Ilha do Fundão
(21) 2598-1875 ou artenaescola@eba.ufrj.br - www.eba.ufrj.br

Serão concedidos certificados, emitidos pela UFRJ, aos que apresentarem um comparecimento mínimo de 75% da carga horária total do curso.

Fonte Canal Contemporâneo

sexta-feira, 5 de março de 2010

Workshop Procedimentos em Arte Contemporânea com Paulo Climachauska

Workshop destinado a interessados na discussão sobre poéticas e procedimentos na arte contemporânea. Haverá análise de material apresentado pelos participantes e exercícios práticos.

Data: de 22 a 26 de março de 2010, 16h às 18h
Carga horária: 10 horas
Vagas: 12
Forma de seleção: análise de portfólio ou carta de intenção. Os interessados deverão encaminhar este material nos dias 15 e 16 de março de 2010. Para mais informações, entre em contato pelo telefone 11-3814-4832 ramal 204.
Público alvo: Pessoas que lidam com a prática de arte contemporânea (artistas, pesquisadores, estudiosos e interessados em geral) gratuito

Mesa redonda com Paulo Climachauska, Rafael Carneiro e Tales Ab’Saber
25 de março de 2010, 19h - gratuita e aberta ao público

PAÇO DAS ARTES
Av. da Universidade, 1, Cidade Universitária
São Paulo, SP, Brasil
Horário de visitação: terça a sexta, das 11h30 às 19 horas
sábados, domingos e feriados das 12h30 às 17h30
pacodasartes@pacodasartes.org.br - tel/fax (11)3814 4832

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cursos e Workshops p/ março - SP & RJ

Workshop de curadoria e crítica de arte no MAM, Rio de Janeiro

Este workshop é uma introdução ao pensamento sobre as práticas da curadoria de arte contemporânea, e pretende discutir temas abordados pela crítica atual tais como identidade, política e globalidade, entre outros, que atravessam as últimas concepções curatoriais. Carga horária de 30 horas e duas visitas a exposições.
Ministrantes:Daniela Labra, Felipe Scovino e Guilherme Bueno
4, 11, 18 de março; 01, 08, 15, 22, 29 abril e 07, 13 maio de 2010, 10-13h
Carga horária de 30 hs e duas visitas a exposições
Valor: 2 parcelas de R$ 300,00
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Cinemateca do MAM
Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ
21-2240-4944 ou atendimento@mamrio.org.br
www.mamrio.org.br

Cursos de Arte Contemporânea com Carlos Fajardo, São Paulo

1. A Instalação, quintas - feiras, 10h30-12h30, início 4 de março
2. A Fotografia, quartas - feiras, 10h30-12h30, início 3 de março
3. Artistas Contemporâneos, segundas - feiras, 10h30-12h30, início 1 de março
4. Arte Contemporânea/ Textos formadores,
terças - feiras, 10h30-12h30, início 2 de março
R$ 330,00, por mês. Os cursos são organizados como seminários suas durações dependem da dinâmica de cada grupo.O menor tempo com aproveitamento é de um semestre.
12 vagas
Av. Heitor Penteado 220, Estúdio 17
3081 8603 / 9941 4708 ou cfajardo@uol.com.br

Processo Criativo: workshop de pensamento criativo e conceitualização na EAV – Parque Lage, Rio de Janeiro

Professor: Charles Watson
Palestrantes:Agnaldo Farias — espaço na arte, poesia e música
Alice Miceli — geração de alternativas
Cadu — sistemas
Lia Rodrigues — inteligência espacial/ corporal
Luiz Alberto Oliveira — sistemas não lineares
Fernando Cocchiarale —quem tem medo de arte contemporânea?
Curso interdisciplinar dirigido àqueles que se interessam pelo processo criativo, tais como designers, artistas, arquitetos, empresários e outros para quem a geração de novas idéias seja fundamental.
1 de março a 23 de junho de 2010 - segunda e quarta, 19h30-21h30
EAV - Parque Laje
Rua Jardim Botânico 414, Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ
21-2553-3748 / 21-2553-9224 / 21-3257-1800 ou wats352@attglobal.net
Fonte Canal Contemporâneo

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A capital das monstruosidades, por Voltaire Schilling

A revista Panorama Crítico foi  criada com o objetivo de criar, de modo indepentende, um espaço aberto ao debate crítico. Dentro desse objetivo, colocamos aqui o texto de Voltaire Shilling na íntegra, publicado no último dia 25 de outubro e debatido na rádio hoje (dia 28) Gauchá FM, com os mais diversos profissionais e pensadores que atuam na cultura. Convidamos a todos (que já tenham lido o texto, assim como aqueles que não tenham lido ainda) os leitores da revista e do blog a realizarem seus comentários sobre o texto como forma de enriquecer e pensar sobre as aberturas que este texto polêmico gerou nos últimos dias.


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A capital das monstruosidades, por Voltaire Schilling*

Desde que Marcel Duchamp, um ex-artista cubista, francês de nascimento que escolheu os Estados Unidos como residência, mandou um urinol para ser exposto numa galeria de Nova York e, quase em seguida, em 1915, montou uma roda de bicicleta equilibrada sobre um pequeno banco e a fez passar por obra de arte, abriu-se a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.
Para acentuar ainda mais o seu deboche para com o que até então se entendia como arte, Duchamp, um pândego, um moleque crescido, pintou um belo bigode numa imagem da Mona Lisa de Leonardo da Vinci, ícone da pintura ocidental. Como ele não foi confinado num manicômio nem encarcerado por ofensas ao patrimônio estético (interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!), parte da vanguarda artística ocidental tomou-o como um profeta dos novos tempos. Estabeleceu-se então um deus nos acuda.
Todavia, o que particularmente nos chama a atenção como cidadãos desta nossa capital, que mais uma vez se vê intimidada pelo flagelo de uma nova “instalação”, é a notável concentração de “esculturas” e “monumentos” absolutamente espantosos. Um pior do que o outro.
Nosso calvário começa por aquela mandada erguer pelos burgueses do bairro Moinhos de Vento para celebrar sua vitória em 1964 que se encontra no Parcão (homenagem ao marechal Castello Branco, mas que também pode referir-se ao desembarque de um extraterrestre), chegando ao hediondo “timão” situado na rótula que antecede o museu Iberê Camargo.
Aliás, o primeiro “timão”, que parecia ter esterco como matéria original da sua composição, foi destruído pelos vileiros do Morro Santa Tereza, certamente indignados em terem-no nas vizinhanças (sofriam de uma injusta punição, além da pobreza tinham que encarar diariamente o exemplo da medonhice).
Este colar sem fim de mau gosto que nos assola ainda é composto pelo “cuiódromo”, encravado na rótula da Praça da Harmonia (obra que por igual pode ser entendida como a exaltação de um superúbere de uma vaca premiada), e por um tarugo de ferro enferrujado que adentra o Rio Guaíba nas proximidades da Usina do Gasômetro e que se intitula, pasmem, Olhos Atentos.
Nem os que foram perseguidos pelo regime militar escaparam destas maldades estéticas. O “monumento” que os lembra, erigido no Parque Marinha do Brasil, nos faz supor que eles continuarão atormentados ainda por muito tempo mais.
A gota d’água derradeira destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses, foi a inauguração recente da Casa Monstro, situada na Rua dos Andradas. Pelo menos o autor, um jovem paulista, enfim alguém sincero no ramo, não a escondeu atrás de um título esotérico ou poético: é monstruosa, sim!
Trata-se da reprodução de um tumor que, inchado, é expelido pelas aberturas da construção e vem se mostrar aos olhos dos passantes, tal como se fora um abdômen de um canceroso recém aberto pelo bisturi de um cirurgião. Como se vê, uma maravilha!
Minha interrogação, depois de passar rapidamente os olhos sobre este vale de horrores que nos circunda, é por que Porto Alegre, cidade aprazível, moderna, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país e que abrigou artistas como Vasco Prado, Xico Stockinger e Danúbio Gonçalves, termina por excitar o pior lado de muitos que por aqui vêm expor?
Dizem-me que eles deixam estas abominações como doação (por não encontrarem compradores e não quererem arcar com o translado) e a infeliz prefeitura, constrangida, não tem como lhes dizer não.
Faço desde já um apelo ao secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, se este ano tal ameaça se repetir, mobilize-se. Levante recursos, promova uma ação entre os amigos da cidade para despachar tais coisas para qualquer outro lugar. Senão, peça socorro à ONU. Porto Alegre, aliviada, lhe será eternamente agradecida.

Jornal Zero Hora, Porto Alegre, RS - 25 de Outubro de 2009

* Nascido em 1944, é professor de História e Mestrando na UFRGS, responsável pelo Projeto Cultural do Curso Universitário. Escreveu 8 livros (*) e mais de 40 polígrafos, a maioria sobre História e História das Idéias Políticas. É professor do Curso de Jornalismo Aplicado da RBS-RS e palestrante da AJURIS-RS. Fez o Curso de Língua e Cultura alemã em Berlim em 1986, onde foi palestrante na Universidade Livre. Representou o Brasil na Feira Internacional do Livro de Jerusalém, em 1991. É articulista da Zero Hora-RS na página de “Opinião”, colaborador do Caderno de Cultura ZH e, também, foi comentarista de assuntos internacionais, culturais e políticos do programa “Câmera 2” na TV Guaíba-RS.